Uma Vida Pequena
Um ano depois, e ainda penso em Jude St.Francis.
No dia 01/12/2025 completarei um ano desde que concluí a leitura do livro Uma Vida Pequena, escrito pela autora Hanya Yanagihara. Este livro conta a história de quatro amigos que se conheceram na universidade e tentam a vida em Nova York. Conhecemos esses personagens de forma vulnerável e sensível, mas o foco principal é Jude St. Francis. Acompanhamos cada detalhe da vida desse personagem, e isso me alcançou de uma forma que devorou todas as camadas da minha eu por completo. Nenhum outro livro me afetou tanto, talvez este seja o livro da minha vida.
Há quem diga que a autora manipulou os leitores por meio da dor extrema de Jude, levando o sofrimento humano a um nível exagerado. Outros defendem que ela apenas retratou, de maneira crua e honesta, a realidade dos traumas e da sobrevivência, sem suavizar nada.
Começamos a leitura sem saber o que esperar, além dos inúmeros vídeos de pessoas se derramando em lágrimas de dor. Li por curiosidade e por indicação de um amigo que também havia concluído a leitura. Se eu indico? Sim e não. Antes de mergulhar nessa história, é importante ler os gatilhos que o livro contém e são muitos.
“Você não vai entender o que quero dizer agora, mas um dia vai entender: o único truque da amizade, eu acho, é encontrar pessoas que são melhores do que você. Não mais inteligentes, nem mais legais, mas mais gentis, mais generosas e mais indulgentes. E então apreciá-las pelo que elas podem lhe ensinar, e tentar ouvi-las quando elas lhe dizem algo sobre você, não importa o quão ruim — ou bom — possa ser, e confiar nelas, que é a coisa mais difícil de todas. Mas a melhor também.”
Quase um ano se passou, e ainda não há semana ou mês em que eu não pense nos personagens e na história. Já conversei e debati muito com o meu amigo sobre o livro, as quatro horas que passamos em uma cafeteria falando sobre ele não foram suficientes. Em diversos momentos, um de nós envia uma mensagem dizendo: “Estive pensando no Jude hoje...”, “Estive pensando no Willem...”, “Estive pensando em Uma Vida Pequena.”
Há camadas no sofrimento escancarado deste livro. Não esperem um final feliz, porque ele não existe. Esperem, sim, desenvolver mais empatia, amor e sinceridade, com o próximo e consigo mesmos.
“E então tento ser gentil com tudo que vejo, e em tudo que vejo, eu o vejo.” — Harold, pai adotivo de Jude.




